terça-feira, 25 de dezembro de 2012

CRÔNICA DO NATAL - Irmão X


Desde a ascensão de Herodes, o Grande, que se fizera rei com o apoio dos romanos, não se falava na Palestina senão no Salvador que viria enfim... Mais forte que Moisés, mais sábio que Salomão, mais suave que David, chegaria em suntuoso carro de triunfo para estender sobre a Terra as leis do Povo Escolhido. Por isso, judeus prestigiosos, descendentes das doze tribos, preparavam-lhe oferendas em várias nações do mundo. 

Velhas profecias eram lidas e comentadas, na Fenícia e na Síria, na Etiópia e no Egito. Dos confins do Mar Morto às terras de Abilena, tumultuavam notícias da suspirada reforma... E mãos hábeis preparavam com devotamento e carinho o advento do Redentor. 

Castiçais de ouro e prata eram burilados em Cesaréia, tapetes primorosos eram tecidos em Damasco, vasos finos eram importados de Roma, perfumes raros eram trazidos de remotos rincões da Pérsia... Negociantes habituados à cobiça cediam verdadeiras fortunas ao Templo de Jerusalém, após ouvirem as predições dos sacerdotes, e filhos tostados do deserto vinham de longe trazer ao santuário da raça a contribuição espontânea com que desejavam formar nas homenagens ao Celeste Renovador. 

Tudo era febre de expectação e ansiedade. Palácios eram reconstruídos, pomares e vinhas surgiam cuidadosamente podados, touros e carneiros, cabras e pombos eram tratados com esmero para o regozijo esperado. Entretanto, o Emissário Divino desce ao mundo na sombra espessa da noite. Das torres e dos montes, hebreus inteligentes recolhem a grata notícia... Uma estrela estranha rutila no firmamento. 

O Enviado, porém, elege pequena manjedoura para seu berço de luz. Milícias angelicais rejubilam-se em pleno céu... Mas nem príncipes, nem doutores, nem sábios e nem poderosos da Terra lhe assistem a consagração comovente e sublime. 

São pastores humildes que se aproximam, estendendo-lhe os braços. Camponeses amigos trazem-lhe peles surradas. Mulheres pobres entregam-lhe gotas de leite alvo. E porque as vozes do Céu se fazem ouvir, cristalinas e jubilosas, cantam eles também... - "Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os Homens!..." Ali, na estrebaria singela, estão Ele e o povo... 

E o povo com Ele inicia uma nova era... ...................................................... 

É por isso que o Natal é a festa da bondade vitoriosa. Lembrando o Rei Divino que desceu da Glória à Manjedoura, reparte com teu irmão tua alegria e tua esperança, teu pão e tua veste. Recorda que Ele, em sua divina magnificência, elegeu por primeiros amigos e benfeitores aqueles que do mundo nada possuíam para dar, além da pobreza ignorada e singela. 

Não importa sejas, por enquanto, terno e generoso para com o próximo somente um dia... Pouco a pouco, aprenderás que o espírito do Natal deve reinar conosco em todas as horas de nossa vida. Então, serás o irmão abnegado e fiel de todos, porque, em cada manhã, ouvirás uma voz do Céu a sussurrar-te, sutil: - Jesus nasceu! Jesus nasceu!... 

E o Mestre do Amor terá realmente nascido em teu coração para viver contigo eternamente. 

Pelo Espírito Irmão X XAVIER
Psicografia de Francisco Cândido. 

BOM NATAL! Mensagens espíritas para nossa reflexão




A ATUALIDADE DO NATAL - Joanna de Ângelis



Andando sem rumo, sob o flagício de mil aflições, o homem moderno deixa-se dominar pelo desânimo ou pela ansiedade, malbaratando o valioso contributo da inteligência e do sentimento com que a vida o enriqueceu, exaurindo-se, ora no consumismo insensato, ora na revolta desastrada por falta de recursos econômicos ou emocionais para realizar-se.
A insatisfação é a tônica do comportamento individual e social que vige na Terra.
Aqueles indivíduos que experimentam carência de qualquer natureza lamentam-se e rebolcam-se na rebeldia, que degenera em violência, enquanto aqueloutros que se encontram afortunados, deixam-se dominar pelas extravagâncias ou pelo tédio, derrapando, uns e outros, nas viciações perturbadoras ou na dependência de substâncias químicas de funestas conseqüências.
As admiráveis conquistas da Ciência e da Tecnologia não os tornaram mais felizes nem menos tensos, pelo contrário, empurraram-nos na direção trágica da neurastenia ou da depressão nas quais estorcegam.
Indubitavelmente trouxeram incomparável ajuda para a solução de diversos sofrimentos e situações penosas, de progresso rnateriall e social, porém, não conseguiram penetrar o cerne dos seres humanos, modificando-lhes as disposições íntimas em relação à existência terrena e aos seus objetivos essenciais.
Considerando a vida apenas do ponto de vista material, sem as conseqüentes avaliações em torno do Espírito imortal, o comportamento materialista domina as mentes e os corações, que acreditam na felicidade em forma de valores amoedados, satisfações dos sentidos, destaque social e harmonia física...
Vive-se o apogeu da glória tecnológica diante dos descalabros comportamentais que jugulam os seres humanos aos estados primevos da evolução.
Há conquistas do Infinito sem realização pessoal, sorrisos de triunfo sem sustentação de felicidade, que logo se transformam em esgares, situações invejáveis mas alicerçadas na miséria, na doença e no desconforto das pessoas excluídas...
Faltando-lhes, porém, a vivência dos compromissos ético-morais, logo se lhes apresentam os desapontamentos íntimos, e os conflitos se lhes instalam devoradores.
Uma tormenta inigualável paira nos céus da sociedade moderna, ameaçando-a com tragédias inomináveis.
Em período idêntico, no passado, salvadas as distâncias compreensíveis, veio Jesus à Terra.
O mundo encontrava-se conturbado pelo poder mentiroso, pela falácia dos dominadores, pelas ambições desmedidas, pelas conquistas arbitrárias, pelas ilusões tresvariadas...
Predominavam o luxo e a ostentação em alguns segmentos da humanidade, enquanto nos porões do abandono em que desfaleciam, incontáveis criaturas espiavam angustiadas o passar do tufão devorador...
Apareceu Jesus, e una aragem abençoada varreu o mundo, modificando-lhe a psicosfèra.
Sua voz levantou-se para profligar contra o crime e a insensatez, contra a indiferença dos fortes em relação aos seus irmãos mais fracos, contra a hipocrisia e o egoísmo então vigentes e dominantes como hoje ocorrem......
Misturando-se aos mutilados do corpo e da alma, ergueu-os do pó em que se asfixiavam, conduzindo-os na direção da glória estelar, demonstrando-lhes que a vida física é experiência transitória, e que os valores reais são os que pertencem ao Espírito imortal.
Utilizou-se da cátedra da Natureza e ensinou a fèlicidade mediante o desapego e o despojamento das alucinantes prisões às coisas e às paixões materiais.
Cantou a esperança aos ouvidos da angústia e proporcionou a saúde temporária a quantos se Lhe acercaram, alentando-os com a certeza da plenitude após vencidas as etapas de regeneração e de resgate que todos os seres se impõem no processo da evolução.
Atendeu a dor de todos os matizes, defendeu os pobres e oprimidos, os esfaimados e sedentos de justiça, a quem ofereceu os preciosos recursos de paz. No entanto, quando acusado, abandonado, marchando para o testemunho, elegeu o silêncio, a submissão à vontade de Deus, a fim de ensinar pelo exemplo resignação e misericórdia para com os maus e perversos, confirmando a indiferença pelos valores do mundo físico destituídos de utilidade
... E permanece até hoje como o Triunfador não conquistado, que prossegue alentando os padecentes, convocando-os à transformação moral para a conquista dos imperecíveis tesouros internos do amor, do perdão, da caridade, da paz...
Recorda-te de Jesus neste Natal e reaproxima--te dEle, analisando como te encontras e de que forma deverias estar moralmente, conscientizando-te do que já fizeste e de quanto ainda podes e deves investir em favor de ti mesmo e do teu próximo mais próximo, no lar, na rua, na humanidade...
O Natal é presença constante do amor e do bem na atualidade de todos os tempos.
Não te esqueças que a evocação do nascimento do Excelente Filho de Deus entre as criaturas humanas, é um convite para que O permitas renascer no teu íntimo, se estiver desaparecido da tua emoçao, ou prosseguir vivo e atuante nos teus sentimentos, convidados à construção da solidariedade, do dever e da lídima fraternidade que deve viger entre todos os seres sencientes que vagueiam no Planeta .
... E deixa que Jesus te fale novamente à acústica do coração e aos escaninhos da mente, repetindo-te o poema imortal das Bem -aventuranças.
Joanna de Angelis
Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, no dia 20 de setembro de 2002, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

À LUZ DO ESPIRITISMO - Texto do espírito Vianna de Carvalho

A história da Humanidade tem, no livro nobre, seu gloriosos repositório. Em todos os tempos o livro tem sido o condutor das mentes e o mensageiro da vida. 

O Mahabharata, que remonta ao século XVI antes de Cristo, narrando as guerras dos Coravas e Pandavas, é o ponto de partida do pensamento lendário da India, apresentando Krishna, no excelente Bagavadgita, a expor a Ardjuna incomparável filosofia mística onde repontam as nobres revelações palingenésicas. 

A Bíblia - antigo Testamento - historiando as jornadas de Israel, oferece a concepção sublime do deus Único, Soberano e Senhor de todas as coisas. Platão, cuja filosofia tem por método a dialética, expondo os pensamentos de Sócrates, seu mestre, nos jardins de Academos, coroa sua obra com a harmoniosa teoria das idéias, afirmando, no memorável "Fédon!, "que viver é recordar" e expressando a cultura haurida no Egito, onde recebera informações sobre a doutrina dos renascimentos. 

O Evangelho de Jesus Cristo, traduzido para todos os idiomas e quase todos os dialetos do globo, faz do amor o celeiro de bênçãos da Humanidade. 

O Alcorão, redigido após a morte de Maomé e dividido em 114 suratas ou capítulos, constitui a base de toda a civilização muçulmana, fonte única da verdade, do direito, da justiça... 

Sem desejarmos reportar-nos à literatura mundial, não podemos, entretanto, esquecer que Agostinho, através das suas Confissões, inaugurando um período novo para o pensamento, abriu as portas para o estudo da personalidade, numa severa autocrítica, e que Tertuliano, com a Apologética, iniciou uma era para o Cristianismo que se mescla, desde então, com dogmas e preceitos que lhe maculam a pureza, através de sutilezas teológicas. Dante, o florentino, satirizando seus inimigos políticos, apresentou uma visão mediúnica da vida além-túmulo. Monge anônimo sugeriu uma Imitação de Cristo como vereda de sublimação para a alma encarnada... Nostradamus, astrólogo e médico, escreveu sibilinamente as Centúrias, gravando sua visão profética do futuro. Camões, com pena de mestre, compôs Os Lusíadas e registra os feitos heróicos de Portugal, repetindo os lances de Flávio Josefo em relação aos judeus e dos historiadores greco-romanos de antes de Jesus Cristo. 

Depois do Renascimento, como advento da imprensa, o campo das idéias sofreu impacto violento, graças à força exuberante do livro. Pôde, então, o mundo pensar com mais facilidade. A Revolução Francesa é o fruto do livro enciclopédico, com ela nascendo as lutas de independência de todo o Novo Continente, inspiradas nas páginas épicas da liberdade. Artur Schopenhauer, entretanto, sugeriu o suicídio, no seu terrível pessimismo, em Dores do Mundo, enquanto Friedrich Nietzsche, no famoso Assim Falava Zaratrusta, tentou solucionar o problema espiritual e moral do homem, através de uma filosofia da cultura da energia vital e da vontade de poder que o conduz ao "super-homem", oferecendo elementos aos teorizantes do racismo germânico, de cujas conseqüências ainda sofre a Humanidade. 

Karl Marx, sedento de liberdade, expôs de maneira puramente materialista a solução dos problemas econômicos do mundo em O Capital e criou o socialismo científico, que abriu as portas ao moderno comunismo ateu. 

Leão XIII compôs a Encíclica Rerum Novarum para solucionar as dificuldades nascidas nos desajustes de classes, oferecendo aos operários humildes, bem como aos patrões, os métodos do equilíbrio e da paz; todavia, a própria Igreja Romana continuou a manter-se longe da Justiça Social... 

E o livro continua libertando, revolucionando, escravizando... Clássico ou moderno, rebuscado ou simples, o livro campeia e movimenta mentes, alargando ou estreitando os horizontes do pensamento. É, em razão disso, que um novo livro, recordando todos os livros, oferece ao homem moderno resposta nova às velhas indagações, propondo soluções abençoadas em torno do antiqüissimo problema da felicidade humana. 

O LIVRO ESPÍRITA, como farol em noite escura, é também esperança e consolação. Esclarecendo quem é o homem, donde vem e para onde vai, sugere métodos mais condizentes com o Cristianismo - Cristianismo que é a Doutrina Espírita - num momento de desesperança de todas as criaturas. 

Renovador, o Livro Espírita encoraja o espírito em qualquer situação; esclarece os enigmas da psique humana; filosófico, desvela os problemas do ser; religioso, conduz o homem a Deus, e abrange todos os demais setores das atividades humanas. 

Desse modo, o Livro Espírita - no momento em que a literatura de desumaniza e vulgariza, tornando-se serva dos interesses subalternos de classe e governo, política e raça, fronteira e poder - disseminando o amor e propagando a bondade, oferece ao pensamento universal as excelentes oportunidades de glória e imortalidade. Saudemo-lo, pois! 

Divaldo Pereira Franco
Da obra: O Livro Espírita. 
Ditado pelo Espírito Vianna de Carvalho.

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sábado, 10 de novembro de 2012

CARTÕES COM MENSAGENS ESPÍRITAS. Compartilhe com seus amigos





O CAMINHO DA AUTOILUMINAÇÃO

O homem atinge um alto nível de evolução quando consegue unir o sentimento e o conhecimento, utilizando-os com sabedoria. Nesse estágio é-lhe mais fácil desenvolver a paranormalidade, realizando o autodescobrimento e canalizando as energias anímicas e mediúnicas para o serviço de consolidação do bem em si mesmo e na sociedade. 

O seu amadurecimento psicológico permite-lhe compreender toda a magnitude das faculdades parapsíquicas, superando os impedimentos que habitualmente se lhe antepões à educação. Desse modo, a mediunidade põe-no em contato com o mundo espiritual de onde procede a vida e para a qual retorna, quando cessado o seu ciclo material, ensejando-lhe penetrar realidades que se demoram ignoradas, incursionando com destreza além das vibrações densas do corpo carnal. 

O exercício das faculdades mediúnicas, no entanto, se reveste de critérios e cuidados, que somente quando levados em conta propiciam os resultados pelos quais se anelam. A mediunidade é inerente a todos os indivíduos em graus de diferente intensidade. Como as demais, é uma faculdade amoral, manifestando-se em bons e maus, nobres e delinqüentes, pobres e ricos. 

Pode expressar-se com alta potencialidade de recursos em pessoas inescrupulosas, e quase passar despercebida em outras, portadoras de elevadas virtudes. Surge em criaturas ignorantes, enquanto não é registrada nas dotadas de cultura. É patrimônio da vida para crescimento do ser no rumo da sua destinação espiritual. O uso que se lhe dê, responderá por acontecimentos correspondentes no futuro do seu possuidor. 

Uma correta educação da mediunidade tem início no estudo das suas potencialidades: causas, aplicações e  objetivos. Adquirida a consciência mediúnica, o exercício sistemático, sem pressa, contribui para o equilíbrio das suas manifestações. 

Uma conduta saudável calcada nos princípios evangélicos atrai os Bons Espíritos, que passam a cooperar em favor do medianeiro e da tarefa que ele abraça, objetivando os melhores resultados possíveis do empreendimento. 

O direcionamento das forças mediúnicas para fins elevados propicia qualificação superior, resultando em investimento de sabor eterno. Se te sentes portador de mediunidade, encara-a com sincero equilíbrio e dispõe-te a aplicá-la bem. 

O homem ditoso do futuro será um indivíduo PSI, um sensível e consciente instrumento dos Espíritos, ele próprio lúcido e responsável pelos acontecimentos da sua existência. Desveste-te de quaisquer fantasias em torno dos fenômenos de que és objeto e encara-os com realismo, dispondo-te a sua plena utilização. Amadurece reflexões em torno deles e resguarda-os das frivolidades, exibicionismos vãos, comercialização vil, recurso para a exaltação da personalidade ou das paixões inferiores. 

Sê paciente com os resultados e perseverante nas realizações. Toda sementeira responde à medida que o tempo passa. A educação da mediunidade requer tempo, experiência, ductibilidade do indivíduo, como sucede com as demais faculdades e tendências culturais, artísticas e mentais que exornam o homem. 

Quem seja portador de cultura, de bondade e sinta a presença dos fenômenos paranormais, está a um passo da realização integral, a caminho próximo da auto-iluminação. 


Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. 
Psicografia de Divaldo Pereira Franco. 
Da obra: Momentos de Iluminação. Salvador, BA: LEAL.

domingo, 4 de novembro de 2012

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VÍDEO: "APRENDENDO ESPIRITISMO" - Conceitos básicos

São muitas as pessoas que buscam informações e orientações sobre a prática espírita e fundamentos do Espiritismo. Esta série de vídeoaulas, denominada "Aprendendo Espiritismo" está disponível no YOUTUBE e através dela podemos esclarecer muitas dúvidas assim como encontrar respostas às nossas indagações. 

Confira no vídeo abaixo o primeiro episódio, com "Introdução à Doutrina Espírita".

BILHETE PATERNAL - Mensagem de Irmão X

Sim, meu filho, talvez por um capricho dos seus treze anos, você deseja receber um bilhete do amigo desencarnado, cujas páginas começou a ler.

Você – um menino! – solicita orientação espiritual.

Tenho escrito muitos contos, depois da morte, mas sinceramente não me recordo de haver dirigido, até hoje, qualquer recado a gente verde do seu porte.

Perdoe se não lhe correspondo à expectativa. Diz você que não espera uma estória da carochinha, baseada em gênios protetores. E remata: "quero, irmão X, que você me diga quais são as coisas mais importantes da vida, apontando-me aquilo de bom que devo querer e aquilo de mau que preciso evitar".

Lembro-me, assim, de oferecer a você uma lista curiosa que um velho amigo me ofereceu, ai no mundo, precisamente quando eu tinha sua idade. A relação apresentava o título "Aprenda meu filho..." e continha as seguintes informações:

1. O maior e melhor amigo: DEUS.

2. Os melhores companheiros : os pais.

3. A melhor casa: o lar.

4. A maior felicidade: a boa consciência.

5. O mais belo dia: hoje.

6. O melhor tempo: agora.

7. A melhor regra para vencer: a disciplina.

8. O melhor negócio: o trabalho.

9. O melhor divertimento: o estudo.

10. A coleção mais rica: a das boas ações.

11. A estrada mais fácil para ser feliz: o caminho reto.

12. A maior alegria: o dever cumprido.

13. A maior força: o bem.

14. A melhor atitude: a cortesia.

15. O maior heroísmo: a coragem de ser bom.

16. A maior falta: a mentira.

17. A pior pobreza: a preguiça.

18. O pior fracasso: o desânimo.

19. O maior inimigo: o mal.

20. O melhor dos esportes: a prática do bem.

Siga esta lista de informações, sempre que você puder, e veja por si como vai indo sua orientação. E se quer mais um aviso de amigo velho, cada noite acrescente esta pergunta a você mesmo, depois de sua oração para o repouso: "Que fiz hoje de bom que somente um amigo de Jesus conseguiria fazer?"


Xavier, Francisco Cândido. 
Ditado pelo Espírito Irmão X.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

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MAIS UM FILME DE TEMÁTICA ESPÍRITA: "E A VIDA CONTINUA..."



O Espiritismo inspira o Cinema com mais uma história fascinante:  E a vida continua...
Filme adaptado do livro “E A VIDA CONTINUA”, de André Luiz, psicografado por Chico Xavier.

Direção e Roteiro: Paulo Figueiredo
Produção:  Versátil Digital Filmes e VerOuvir Produções
Produtores: Oceano Vieira de Melo, Sonia Marsaiolli de Melo
e Paulo Figueiredo
Produtores Associados: FEB / VerOuvir / Versátil Digital Filmes
Distribuição Paris Filmes

Coordenação de Produção: Ricardo Parah
Gerência de Produção: Giselle Figueiredo
Produção de Elenco:Rosana Penna
Direção de Arte/Figurino: Liana Obata
Direção de fotografia: Tony Ciambra
Câmera:  Bruno Martins e Edson Audi
Som direto:  Gustavo Goulart e Geraldo Ribeiro

Sinopse:

A transposição deste romance para a tela põe em destaque o que a obra original tem de mais expressivo em seu conteúdo. Converte a essência de cada trecho literário em cenas vivas, instigantes, de interesse humano inquestionável.
Levado por uma dessas tantas "coincidências" da vida, um homem de cinqüenta anos conhece, em circunstâncias dramáticas, uma jovem de vinte e cinco. Fugitivo de si mesmo, sobrevivente de uma tragédia pessoal que o tempo ensinou a esconder num bem-humorado sorriso, no mesmo instante se encanta por essa moça, que além da frustrada paixão pelo marido infiel nenhuma razão mais possui para  continuar vivendo.

Como náufragos à deriva, Ernesto e Evelina juntam forças e esperanças. Mas não só amores e desamores passados os tornam semelhantes. A questão da saúde comprometida pela mesma enfermidade grave, outra "coincidência", lança expectativas sombrias no futuro dos dois. Como investir numa tão promissora amizade que pode acabar sem glória e sem despedida no centro cirúrgico de um hospital? Instala-se a dúvida. E nos poucos dias que os separam de seus destinos curiosamente parecidos, o homem e a mulher que o "acaso" trouxe para um encontro preparam suas almas apostando na Vida mas com um olho na Morte.

No último minuto de proximidade na estância de repouso preparatório para as cirurgias, dizer o quê? Adeus? Até breve?

Na falta de resposta o silêncio foi melhor. Um sorriso e uma mão acenando disseram mais.

Como no Teatro, fechava-se a cortina ao final do Primeiro Ato. O Segundo seria num outro palco, numa nova dimensão, para uma outra platéia. Entenderiam os protagonistas, agora, que a Vida é uma peça de muitos Atos, porém sem fim.


Atores principais do filme

AMANDA ACOSTA - Evelina Serpa
LUIZ BACCELLI - Ernesto Fantini
LIMA DUARTE - Instrutor Ribas
ANA ROSA – Lucinda 
LUIZ CARLOS DE MORAES - Instrutor Cláudio
RUI REZENDE – Desidério dos Santos 
LUIZ CARLOS FELIX – Caio Serpa 
ANA LÚCIA TORRE - Brígida 
CLAUDIA MELLO – Alzira 
ARLETE MONTENEGRO - Sra. Tamburini 
ROSANA PENNA – Elisa 
RONALDO OLIVA -  Túlio Mancini
SAMANTHA CARACANTE – Vera Celina 
CESAR PEZZUOLLI – Amâncio 
CARLA FIORONI – Enfermeira Isa 
PERSONAGENS DO UMBRAL - Guilherme Santana, Lucienne Cunha, Marco Antonelli e Débora Muniz, mais um grande elenco.
Site oficial
http://www.eavidacontinuaofilme.com.br/ 
Facebook
http://www.facebook.com/eavidacontinuaofilme
Twitter
http://www.twitter.com/eavcontinua

MOSTRA DE MÚSICA ESPÍRITA


quinta-feira, 21 de junho de 2012

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TEXTO DA COLUNA "UM MINUTO COM CHICO XAVIER" DA REVISTA O CONSOLADOR

JOSÉ ANTÔNIO VIEIRA DE PAULA depaulajoseantonio@gmail.com
Cambé, Paraná (Brasil)

Um fato que sempre me impressionou, na vida dos apóstolos ao lado de Jesus, foi o momento em que Pedro se aproximou do Mestre, visivelmente nervoso, porque um soldado havia exigido que pagasse um imposto chamado didracmas (duas dracmas), que deveria ser cobrado apenas dos estrangeiros. 

Segundo Simão, o representante de César exigiu que tanto ele quanto seu mestre o pagassem. Jesus ouviu, calmamente, e falou para Pedro lançar uma linha com um anzol ao mar, dali retirar um peixe, dizendo que dentro do peixe haveria uma moeda que seria o suficiente para ele quitar essa dívida, embora injusta, inclusive recomendando ao amigo para que não incomodasse os soldados. 

O que me chama a atenção, nessa história, não é a moeda dentro do peixe, mas o ato de lançar a linha com anzol ao mar. Isso é pescar, e essa era a profissão de Simão Pedro. Daí podemos concluir que Jesus mandou Pedro para o trabalho e que dali retiraria a bênção da materialização da moeda. 

Certa vez Chico viu-se numa situação muito delicada financeiramente e pediu ajuda aos céus. A resposta veio quase imediata, mas também mostrou que foi à custa do trabalho de seu irmão José, recém-desencarnado, que o problema seria solucionado. Quem nos conta essa história é Ramiro Gama no seu livro “Lindos Casos de Chico Xavier”. 

Vejamos a narrativa: 

José, o irmão de Chico, que fora por muito tempo seu orientador e dirigia as sessões do "Luiz Gonzaga", adoece gravemente e, sob as surpresas de seus caros entes familiares, desencarna, deixando ao irmão o encargo de lhe amparar a família. 

Dias depois, o Chico verifica que José lhe deixara também uma dívida, pois se esquecera de pagar a conta da luz, na importância de onze cruzeiros. Isto era muito para o pobre médium, pois no fim de cada mês nada lhe sobrava do ordenado. 

Pensativo, sentou-se à soleira da porta de sua casinha rústica e abençoada. Emmanuel lhe diz: - Não se apoquente, confie e espere. 

Horas depois, alguém lhe bate à porta. Vai ver. Era um senhor da roça. 
 - O senhor é o seu Chico Xavier? 
 - Sim. Às suas ordens, meu irmão. 
 - Soube que seu irmão José morreu. E vim aqui pagar-lhe uma bainha de faca que ele me fez há tempos. E aqui está a importância combinada. 

Chico agradeceu-lhe. E ficando só, abriu o envelope. Dentro estavam onze cruzeiros... para pagar a luz. Sorriu, descansado, livre de um peso. E concluiu para nós: - "Que bela lição ganhei". 

E nós: Também para os que sabem olhar para os lírios dos campos, que não temem o amanhã, porque sabem que ele pertence a Deus. 

Extraído do site www.mensagemdeluz.kit.net.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

MUNDO ESPIRITUAL

O homem compõe-se de corpo e Espírito: o Espírito é o ser principal, racional, inteligente; o corpo é o invólucro material que reveste o Espírito temporariamente, para preenchimento da sua missão na Terra e execução do trabalho necessário ao seu adiantamento. 

O corpo, usado, destrói-se e o Espírito sobrevive à sua destruição. 

Privado do Espírito, o corpo é apenas matéria inerte, qual instrumento privado da mola real de função; sem o corpo, o Espírito é tudo: a vida, a inteligência. Em deixando o corpo, torna ao mundo espiritual, onde paira, para depois reencarnar. 

Existem, portanto, dois mundos: o corporal, composto de Espíritos encarnados; e o espiritual, formado dos Espíritos desencarnados. Os seres do mundo corporal, devido mesmo à materialidade do seu envoltório, estão ligados à Terra ou a qualquer globo; o mundo espiritual ostenta-se por toda parte, em redor de nós como no Espaço, sem limite algum designado. 

Em razão mesmo da natureza fluídica do seu envoltório, os seres que o compõem, em lugar de se locomoverem penosamente sobre o solo, transpõem as distâncias com a rapidez do pensamento. 

A morte do corpo não é mais que a ruptura dos laços que os retinham cativos. 


Allan Kardec 
Da obra: O Céu e o Inferno.

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ESPIRITISMO: Como vêem, como é.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

CARTÕES COM MENSAGENS ESPÍRITAS. Envie para alguém especial

 



CICLO DE PALESTRAS EM COMEMORAÇÃO AOS 24 ANOS DO CEMIL


ALGUNS COMENTÁRIOS CRÍTICOS SOBRE O LIVRO “NÃO SERÁ EM 2012”, DE MARLENE NOBRE E GERALDO LEMES.


Do site de  LEONARDO MONTES

montes@hotmail.com.br
Resumo: Este artigo apresenta algumas críticas ao livro “Não será em 2012” (2011), de Marlene Nobre e Geraldo Lemes, no qual é dada publicidade a uma suposta revelação feita pelo médium Chico Xavier, em 1986, sobre o que seria a data-limite para o fim do velho mundo. A partir dessa data, o mundo entraria num rápido progresso ou desaceleraria, conforme o que ocorrer neste intervalo de tempo. Para fundamentar tal proposta, os autores utilizaram várias profecias e referências das obras de Allan Kardec e Chico Xavier. Constatou-se, também, o que parece ser a fonte original da revelação. A argumentação dos autores revelou-se pouco consistente, com uma série de paradoxos doutrinários, apelos à autoridade e exacerbação da fé.
Palavras-chave: Profecias, Maias, 2012, Mundo de Regeneração.
Introdução
Em Maio de 2011, o jornal Folha Espírita, nº 4391, sacudiu o Movimento Espírita com uma revelação: Chico Xavier teria dito a Geraldo Lemes, em 1986, em uma conversa informal pela madrugada Uberabense, que a data-limite para o “velho mundo” (ou seja, a transformação do planeta de mundo de provas e expiações para um mundo de regeneração) não seria 2012 (conforme alguns creem), mas, 2019. Em resumo, tal revelação consiste na ideia de que a chegada do homem à Lua despertou certo interesse (e receio) da comunidade espiritual do Sistema Solar (?). Uma reunião foi marcada entre as potencialidades angélicas (?) de nosso Sistema, na qual o futuro da humanidade seria decidido. Ficou acordado, mediante intervenção direta de Jesus, tido como governador espiritual da Terra, que a humanidade teria o prazo de 50 anos, a contar da chegada do homem à Lua (20/07/1969-20/07/2019) para que os países aprendessem a conviver em harmonia, evitando a todo custo uma terceira Guerra Mundial. Caso consiga, a humanidade entraria em uma fase de progresso nunca antes vista, em que veríamos a cura das doenças e a solução das crises humanitárias. Caso contrário, uma nova idade das trevas abater-se-ia, podendo levar até mil anos para se recompor (p. 58).
Tal revelação causou relativo impacto no Movimento Espírita, gerando discussões e debates2.Nos últimos meses, no entanto, a discussão esfriou, e o tema ficou em segundo plano. Todavia, acredito que, até a chegada de 2019, esse tema virá à tona diversas vezes. Tendo isso em vista, e também pela insistência de alguns amigos que me pediam uma opinião,  elaborei o presente artigo. Para analisar tal situação, é preciso focar em determinados assuntos, pois, apesar de ser um livro pequeno, apresenta uma série de questões que, para serem devidamente observadas, demandariam grande empenho e conhecimento histórico profundo. Dessa forma, dividirei a análise em cinco partes, a saber: 1) reflexões sobre a revelação; 2) breve análise das profecias apresentadas; 3) divergências doutrinárias; 4) revelação ou reinterpretação? 5) conclusão.
1. REFLEXÕES SOBRE AS SUPOSTAS REVELAÇÕES
 Quando tive notícias sobre o caso, a primeira pergunta que me fiz foi: Por que só agora?  Se esta conversa com Chico Xavier ocorreu em 1986, por que só agora, em 2011(25 anos depois), é que veio a público? Isso me levou a outras questões, como: Quando Chico Xavier soube destas revelações? Se as conhecia desde o princípio, por que não as divulgou (ver item 4)? Por que esperar 17 anos (1969-1986) para contar isto a alguém? Segundo Geraldo Lemes, a conversa ocorreu em 1986. Geraldo Lemes guardou segredo até que não suportando a própria consciência, resolveu contá-lo à Marlene Nobre que, por sua vez, confidenciou-lhe, apesar de já terem se tornado públicas outras revelações que Chico Xavier ter-lhe-ia feito, não sobre a data-limite do velho mundo, mas sobre o papel do Brasil nesse processo. Dessa forma, os autores resolveram dar publicidade às revelações, unindo-as num tema comum. Primeiramente, em forma de entrevistas ao jornal Folha Espírita e, posteriormente, em um livro e DVD.
Se Chico Xavier confiava na revelação, como parecia confiar (p. 49), é estranhíssimo o fato de tê-la mantido em sigilo. Chico Xavier é uma personalidade reconhecida pelo seu desapego e dedicação ao bem, trajetória que lhe rendeu o título de Mineiro do Século. Não vejo razões, portanto, para que algo de tal magnitude ficasse em oculto. Entretanto, é possível que ele não tivesse se dado conta, inicialmente, da magnitude dessa revelação. Pode ser que ele tenha ficado ciente em qualquer ano entre 1969 e 1986, o que nos levaria a mais perguntas sobre os motivos de tê-la mantido oculta neste período. Talvez só tenha tido conhecimento desta revelação em 1986. Não sabemos. Infelizmente, os autores não se preocuparam em esclarecer este ponto.
Passamos, então, à segunda questão mais impactante: Por que Geraldo Lemes guardou consigo por 25 anos esta informação? Ele também crê firmemente em sua veracidade (p. 45). Mas, possivelmente, não quisesse se expor. Acredito, contudo, que, provavelmente, tenha esperado tempo suficiente para observar se a revelação faria ou não sentido. Novamente, porém, os autores não se preocuparam em esclarecer os motivos da reserva, por isso especulo.
Em termos matemáticos simples, já se passaram 42 dos 50 anos previstos, isto é, 84% do tempo previsto transcorreram sem nenhuma guerra que pudesse pôr toda a humanidade em risco. Restariam, portanto, 16% do tempo para que uma terceira Guerra Mundial ou uma guerra nuclear (condição expressa da revelação) aconteça e tire-nos a possibilidade de rápida ascensão. As probabilidades, nesse caso, estão a nosso favor.
Um dos pontos curiosos e que me pareceram descontextualizados é a preocupação excessiva (p. 52) com armamento nuclear. Tal é que a condição estabelecida por Jesus e pelos demais espíritos é a de que a humanidade não se lance em uma guerra mundial ou nuclear. A ameaça nuclear era tema recorrente no fim do período da guerra fria e faria muito sentido se tal revelação surgisse naquela época. Atualmente, a problemática nuclear parece estar mais associada aos riscos que essa tecnológica impõe à humanidade, como no recente caso da usina de Fukushima3, no Japão, do que alguma disposição dos países para um conflito desta natureza. Entretanto, cabe ressaltar, a humanidade não se livrou desse problema e, eventualmente, vemos o cadáver insepulto do armamento nuclear desfilando nos noticiários, principalmente entre países como a Coréia do Norte, Paquistão, Irã, etc. Configura-se, desse modo, uma ameaça real, mas com muito menos força e evidências de consecução que o período da guerra fria.
Um dos pontos destacados com ênfase no texto seria o papel do Brasil neste processo regenerador. Como se sabe, desde a publicação do livro: Brasil, coração do Mundo, Pátria do Evangelho, onde o Brasil é colocado com  destaque na possível condução do mundo pós-apocalíptico, escolhido por Jesus para ser o “coração do mundo”, é cada vez mais comum o apelo nacionalista/patriota na literatura espírita. Há exaltação à nacionalidade e até mesmo a tentativa de minimizar os problemas brasileiros (p. 75).Contudo, não entrarei no mérito dessa questão.
2. BREVE ANÁLISE DAS PROFECIAS APRESENTADAS
 Como dito anteriormente, os autores buscaram em diversas profecias subsídios para sustentar a ideia de uma renovação que se operará em futuro próximo. Começam (p. 13) por fazer uma breve explicação da profecia Maia sobre 2012, a fim de demonstrar os motivos pelos quais eles aceitariam a profecia em essência, porém não na data prevista e, sim, em 2019. A primeira coisa que me chamou a atenção foi a data grafada como sendo a da referida profecia: 22 de Dezembro de 2012, enquanto, na realidade, é 21 de Dezembro de 20124. Por que motivo este erro? Ao analisarmos a entrevista de Fernando Malkun, disponível na internet5, observamos que Amantino de Freitas, em nome da Folha Espírita (FE), faz um questionamento citando a data como sendo 22 de Dezembro e Fernando Malkun, estudioso do assunto, não o corrige. Como este capítulo cita essa entrevista, acredito que os autores se basearam nela para escrever sobre 2012. Seja como for, o fato é que a data é repetida erroneamente por todo o livro.
Não entrarei no mérito das crenças de Fernando Malkun. Contudo, cabe ressaltar que, atualmente, muitos estudiosos avaliam o calendário Maia de modo diferente6, não vendo nele mais do que o fim de um ciclo de tempo (como o fim de Dezembro, para o nosso calendário) ou, ainda, que a conversão da data para o nosso calendário possa estar errada, como afirma o professor da Universidade da Califórnia, Gerardo Aldana, que em artigo publicado7, diz que a margem de erro varia entre 50 e 100 anos. Dessa forma, se 21 de Dezembro de 2012 passar, e o mundo não se modificar mais do que o esperado, os crentes na profecia reconhecerão o erro e desistirão da ideia, certo? Errado! Um fato psicologicamente interessante sobre as profecias é que, ao falharem, geralmente não faz com que os crentes desistam dela, ao contrário, faz com que se apeguem mais ainda. Isso foi estudado na década de 50 por Leon Festinger e sua tese foi chamada de Teoria da dissonância cognitiva8.
Ao fim do primeiro capítulo (p. 18), observei o que me parece a mais clara, simples e direta referência ao argumento da autoridade. Os autores negam a profecia Maia porque Chico Xavier havia dito que seria 2019, isto é, não tiveram interesse em refutar a profecia Maia que, em linhas gerais, atende ao mesmo objetivo da revelação que trouxeram. Porém, desacreditam na data pelo simples fato de Chico Xavier ter-lhes dito o contrário. Ao longo dos próximos capítulos, outras profecias são citadas para demonstrar o plano de renovação existente há milênios com o objetivo de mudar o planeta.
2.1         Profecias de Lucas
 Uma análise minuciosa das profecias bíblicas exigiria tempo e conhecimentos dos quais não disponho. Dessa forma, vou-me ater apenas a alguns exemplos citados no livro que, via de regra, servem igualmente para todo o resto, uma vez que a interpretação dos autores sobre as profecias bíblicas, a priori, parece distante de seu contexto histórico e possui viés tendencioso.
            A primeira profecia citada (p. 34) encontra-se no livro de Lucas (21:20), que diz:
“Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação”.
 Em seguida (p. 35), os autores dizem:
 “Parece bem claro que a cidade de Jerusalém está envolvida nesses acontecimentos finais, anunciados pelo profeta Daniel e retomados por Lucas, porque será sitiada pelos exércitos”.
Jerusalém foi destruída pelo menos três vezes: Em 587 a.C, por Nabucodonosor; Em 70 d.C por Tito; e em 135 por Adriano9. A qual destruição a profecia se referia? É fácil encontrarmos referências, por parte dos crentes na profecia, de que tal narrativa seria o cerco de Tito a Jerusalém, em 70 d.C, quando grandes atrocidades ocorreram. Flávio Josefo, historiador da época, escreveu:
“É então um caso miserável, uma visão que até poria lágrimas em nossos olhos, como os homens aguentaram quanto ao seu alimento [...] a fome foi demasiado dura para todas as outras paixões [...] a tal ponto que os filhos arrancavam os próprios bocados que seus pais estavam comendo de suas próprias bocas, e o que mais dava pena, assim também faziam as mães quanto a seus filhinhos [...] quando viam alguma casa fechada, isto era para eles sinal de que as pessoas que estavam dentro tinham conseguido alguma comida, e então eles arrombavam as portas e corriam para dentro [...] os velhos, que seguravam bem sua comida eram espancados, e se as mulheres escondiam o que tinham dentro de suas mãos, seu cabelo era arrancado por fazerem isso [...]” (Guerras dos Judeus, livro 5, capítulo 10, seção 3).
Sem adentrar o mérito da veracidade de tal profecia e considerando que os próprios estudiosos da Bíblia fazem referência ao cumprimento da mesma como sendo o ataque a Jerusalém em 70 d.C, por que razão traçar qualquer paralelo com o presente?
2.2  Profecias de João
Há apenas uma rápida citação sobre João (p. 33). No entanto, não vejo necessidade de maior aprofundamento. No livro de Apocalipse, capítulo 1, versículos 1 e 3, fica claro que as revelações de João se referiam a um curto período de tempo, sem relação, portanto, com o momento atual.
2.3  Profecias de Daniel
Essas profecias estão inseridas no Antigo Testamento, no período de reinado de Nabucodonosor II, algo em torno de 600 anos a.C. Os autores utilizaram-se de várias passagens do capítulo 8 do livro de Daniel (versículos: 13, 15, 17,18, etc.) que de fato falam sobre acontecimentos futuros (Dan. 8, 17), no intuito de fazer parecer presente o tempo da profecia.
No entanto, pulam os versículos 21 e 22 que exemplificam a visão de Daniel com acontecimentos ligados aos reinos da “Pérsia” e da “Grécia”, e passam direto para o versículo 23 (p. 34), no qual de fato se fala sobre um rei que se levantará e “será quebrado sem intervir mão de homem” (Dan. 8, 25). A própria profecia, no entanto, delimita as nações envolvidas (Dan. 8, 21-22). Mas, o que dizem os estudiosos da Bíblia? Muitos acreditam que tais profecias referem-se aos Romanos. Diz Edward O. Bragwell10: “Seria nos dias desses reis, os romanos, que o Deus do céu estabeleceria um reino que jamais haveria de ser destruído
Mais uma vez, o que se tenta contextualizar é tido, por parte dos estudiosos, como acontecimentos históricos, ou seja, já ocorridos, não havendo, portanto, relação com o presente. Os autores concluem que o trecho “mas será quebrado sem intervir mão de homem”, refere-se a desastres naturais a se realizarem em futuro breve (p. 34).
2.4  Profecias de Ezequiel e Zacarias
Novamente, os autores fazem uma relação extraordinária. Dizem (p. 36) – “É impressionante a descrição de Zacarias (Vers. 12 do Cap. 14) quanto às consequências da guerra, dá para supor que é um conflito nuclear, escrito há 2500 anos”. De trás, para frente, podemos dizer que a data é aproximadamente correta, apesar de que este capítulo tenha sido escrito, provavelmente, por volta de 300 a.C. Assim diz o versículo citado:
“Esta será a praga com que o Senhor ferirá todos os povos que guerrearam contra Jerusalém: apodrecer-se-á a sua carne, estando eles de pé, e se lhes apodrecerão os olhos nas suas órbitas, e a língua se lhes apodrecerá na boca”.
 Tal descrição refere-se às consequências de um ataque nuclear? É pouco provável. Na verdade, além de descrever a cruel concepção de Deus do Antigo Testamento, tido como “Senhor dos Exércitos”, tal versículo é apenas a demonstração do “poder de Deus” sobre os inimigos de seu povo. Todo o capítulo 14, como se vê nos versículos: 1, 3, 9, 16, 19, 21 etc., demonstram apenas como Deus iria ajudar o seu povo a conquistar Jerusalém. Mais uma vez, portanto, a descontextualização é flagrante.
 2.5  O Sermão Profético
Para fundamentar a atualidade da profecia de Jesus sobre as “tribulações”, os autores baseiam-se (p. 39) nos evangelhos de Mateus, capítulo 24; Marcos, capítulo 13 e Lucas, capítulo 21. Citam, principalmente, os versículos 6 e 8 do capítulo 24 de Mateus, que dizem:
“E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim”. (Mateus 24:6)
“Mas todas estas coisas são o princípio de dores.” (Mateus 24:8)
Para justificar a “grande tribulação [...] os momentos mais terríveis pelos quais a Terra vai passar brevemente” (p. 40), valem-se de Lucas:
“E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas”. (Lucas 21:25)
Esta última passagem de Lucas de fato é um tanto emblemática e não será analisada neste artigo. Todos os demais versículos reunidos transmitem a ideia de que grandes “tribulações” marcariam o fim dos tempos em acontecimentos futuros. Mas, o que os autores não mostraram?
Utilizando-se das mesmas referências originais, podemos ler em Mateus:
“Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam”. (Mateus 24:34)
Em Marcos:
“Na verdade vos digo que não passará esta geração, sem que todas estas coisas aconteçam”. (Marcos 13:30)
Em Lucas:
“Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo aconteça”. (Lucas 21:32)
Ou seja, na sequência natural dos capítulos, os próprios Evangelistas escrevem que, seja quando for, tais profecias se cumpririam ainda na presente geração. Dessa forma, como podem ser um anúncio para o futuro, ou ainda, como pretendem os autores (p. 40), para o século XX?
3.   DIVERGÊNCIAS
3.1 Divergência em A Gênese
Ainda na introdução (p. 07), os autores citam um texto de A Gênese (itens 1 e 6 do capítulo XVIII), no qual se lê sobre as transformações que aguardariam a Terra, pois havia chegado o tempo de mudanças. Ressaltam que o processo de transformação era atual, não sendo, portanto, algo a se iniciar no futuro: encontrava-se em plena marcha, o que estou de acordo. Posteriormente (p. 08), os autores fazem crer que a suposta revelação de Chico Xavier sobre 2019, seja uma espécie de fase final do período de mudança assinalado pelos espíritos em A Gênese. O que há em comum entre as duas ideias? Posso resumir que ambas dizem que a humanidade irá melhorar-se continuamente, a ponto de, em dado momento, superar suas crises, inaugurando uma nova era de paz e prosperidade nunca antes vista na Terra. Mas, como isto se daria?
Segundo A Gênese de Allan Kardec (Cap. XVIII), cada vez mais, menos espíritos inclinados ao mal encarnariam e mais espíritos propensos ao bem viriam em seus lugares. Esse processo, consolidando-se através de várias gerações, povoaria nosso planeta de espíritos bons, que, parafraseando Carl Sagan, teriam mais de nossas virtudes e menos de nossas fraquezas. Contudo, segundo a tese apresentada pelos autores, isso também deve ocorrer. Porém,  com um limite: se, até 2019, a humanidade não mergulhar em conflitos bélicos de grandes proporções ou numa guerra nuclear (p. 51), fantásticos progressos seriam vistos. Mas, se o contrário acontecer, as próprias “forças da natureza” poriam fim à guerra. Mergulharíamos em trevas profundas (p. 52), propensos a “terremotos gigantescos; maremotos e ondas (tsunamis) consequentes; veríamos a explosão de vulcões há muito extintos” etc.
Todavia, os trechos citados de A Gênese, isoladamente, levam a uma interpretação equivocada daquilo que dizem em seu contexto original, como se pode ver:
“Mas, uma mudança tão radical como a que se está elaborando não pode realizar-se sem comoções.  Há, inevitavelmente, luta de ideias.  Desse conflito forçosamente se originarão passageiras perturbações, até que o terreno se ache aplanado  e  restabelecido  o  equilíbrio.  É,  pois,  da  luta  das  ideias  que surgirão os graves acontecimentos preditos e não de cataclismos ou catástrofes puramente materiais. Os cataclismos gerais foram consequência do estado de formação da Terra. Hoje, não são mais as entranhas do planeta que se agitam: são as da Humanidade”. (Cap. XVIII, item 7)
 Há outra referência muito precisa sobre o assunto, da qual vou expor apenas o necessário:
“A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um  cataclismo  que  aniquile  de  súbito  uma  geração.  A  atual  desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas”. (Cap. XVIII, item 27)
“Tudo, pois, se processará exteriormente, como sói  acontecer,  com  a única, mas capital diferença de que uma parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí não mais tornarão a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado  ao  mal,  que  antes  nela  encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem”. (Cap. XVIII, item 27)
 Torna-se textualmente evidente que, para Kardec, o processo de transformação da Terra causaria conflitos de ideias e revoluções humanas, mas não desastres naturais. Dessa forma, fica enfraquecida a iniciativa de usar o livro A Gênese como base à revelação apresentada.
3.2 Escolhas individuais, decisões coletivas?
Segundo Geraldo Lemes (p. 51), Chico Xavier teria dito:
“Segundo a imposição do Cristo, as nações mais desenvolvidas e responsáveis da Terra deveriam aprender a se suportarem umas às outras, respeitando as diferenças entre si, abstendo-se de se lançarem a uma guerra de extermínio nuclear. A face da Terra deveria evitar a todo custo a chamada III Guerra Mundial”.
Essa opinião coloca como responsáveis pelo que ocorrer com o Planeta aqueles que governam as nações. Porém, logo em seguida, lê-se:
 “Ah! Geraldinho, caso a humanidade encarnada decida seguir o infeliz caminho da III Guerra Mundial, uma guerra nuclear de consequências imprevisíveis e desastrosas” [...] (p.52)
Ou ainda:
“Como poderemos facilmente concluir, tudo dependerá, em última análise, de nossas próprias escolhas, enquanto entidades individuais ou coletivas, para nosso progresso e ascensão espiritual” [...] (p. 58)
 Podemos facilmente compreender que o destino das nações está nas mãos dos governantes que podem, de um momento para o outro, reverter o cenário mundial, declarando uma guerra de grande abrangência, ainda que protestem seus cidadãos. A história já nos mostrou isso. Mas, como explicar este aparente paradoxo? Como as decisões pessoais poderiam intervir neste processo? Estariam referindo-se às revoluções populares como recentemente vimos na chamada primavera Árabe11?
Como eu poderia intervir caso algum país como a Coréia do Norte, por exemplo, decidisse declarar guerra contra a Coréia do Sul e isso – vamos supor – causasse um novo conflito global? Suspeito que uma grande parcela da população da Coréia do Norte não deseja um conflito dessa natureza, muito embora seus governantes talvez o façam.
 Exemplos assim abundam pelo mundo e somos obrigados a refletir: Seria justo que a humanidade inteira sofresse por um conflito que talvez seja decidido por meia dúzia de pessoas? Por que, ao invés de mergulhar o mundo em sombras e ficarmos à mercê dos cataclismos, esses espíritos causadores de conflitos não sejam, como propõe a obra de Kardec, simplesmente retirados da Terra para um mundo mais adequado ao seu progresso  em vez de mergulhar toda a humanidade, por decisões que, provavelmente, não teríamos nenhum tipo de controle, em uma era de sofrimento inimaginável? E as perguntas continuam.
Não obstante esse paradoxo, outro me parece saltar aos olhos, quando se lê:
“[...] Após o alvorecer do ano 2000 da Era Cristã, os espíritos empedernidos no mal e na ignorância não mais receberiam a permissão para reencarnar na face da Terra. Reencarnar aqui, a partir desta data, equivaleria a um valioso prêmio justo, destinado apenas aos espíritos mais fortes e preparados, que souberam amealhar, no transcurso de múltiplas reencarnações, conquistas espirituais relevantes como a mansidão, a brandura, o amor à paz e à concórdia fraternal entre povos e nações”. (p. 56)
Se, a partir do ano 2000, espíritos inclinados ao bem estão encarnando, em 2019 teremos apenas jovens com idade insuficiente para poderem administrar cargos de relevância nas decisões mundiais. Para ser presidente do Brasil, por exemplo, é necessário ter no mínimo 35 anos. O presidente mais jovem a assumir o poder foi Collor (1990) aos 40 anos de idade. O deputado mais jovem até o momento é Hugo Motta, que assumiu o poder aos 21 anos, etc. Que tipo de revolução poder-se-ia esperar dessa geração que supostamente está encarnando a partir de 2000? No momento em que escrevo, estamos no fim de Janeiro de 2012, e nestes 12 anos do novo século nada me leva a crer que uma revolução causada por essa faixa etária esteja por vir, mas posso estar errado.
Suponhamos, então, que desde o ano 2000 estejamos lidando com espíritos muito adiantados que possuem “conquistas espirituais relevantes como a mansidão, a brandura, o amor à paz e à concórdia fraternal entre povos e nações” (p. 56)Seria justo que essa geração de espíritos sofresse, como no exemplo anterior, os resultados de ações que provavelmente não teriam nenhum controle? Isto é, espíritos que viriam nos ajudar com seus bons pendores a desenvolver o mundo sofreriam, juntamente com os demais, um turbilhão de consequências sobre as quais não tiveram responsabilidade?
 4. REVELAÇÃO ou REINTERPRETAÇÃO?
 Se houvesse algum momento a partir da década de 1970 para que tal revelação pudesse ser dita de forma ampla para uma grande parcela da população brasileira, espírita e não-espírita, qual seria o momento ideal? Essa perguntou norteou meus pensamentos em busca de evidências de que, talvez, Chico Xavier tivesse feito menção à revelação. Tal situação parece ter ocorrido em 1971, no programa Pinga-Fogo, no qual se podem ver duas ocasiões que possuem grande semelhança com o relato de Geraldo Lemes.
Na edição de 1971, Helle Alves pergunta a Chico Xavier (34min.), sobre o avanço da humanidade, como afirmam os espíritas e outras correntes espiritualistas, fazendo um comparativo com as recentes guerras e crises, que não favoreciam a concepção de um melhoramento progressivo da Humanidade. Como Chico Xavier explicaria esse paradoxo? A resposta é transcrita abaixo conforme consta no áudio original:
“Esses fenômenos todos, diz nosso Emmanuel, que está presente, caracterizam mesmo o período de transformação em que nós nos encontramos. Diz ele: O nosso companheiro materialista, dirá: Natureza! – Mas, para nós, os religiosos, natureza é sinônimo de manifestação de Deus! Então, Deus cria a natureza, Deus cria a vida, mas o homem, os homens ou as mulheres do planeta, são filhos de Deus e podem modificar a criação de Deus. Nós nos encontramos no limiar de uma era extraordinária, se nos mostrarmos, capacitados coletivamente a recebê-la com a dignidade devida. Se, os países mais cultos do globo, puderem suportar a pressão de seus próprios problemas sem entrar em choques destrutivos, como por exemplo, guerras de extermínio, que deixarão consequências, imprevisíveis para nós todos no planeta [...] Então, veremos uma era extraordinariamente maravilhosa. A própria automação, diz ele [Emmanuel], nos está dizendo, que nós vamos ser aliviados ou quase que aposentados do trabalho mais rude no trato com o planeta, para a educação da nossa vida mental, através de informações do universo, com o proveito enorme, proveito incalculável, para beneficio da humanidade. Mas, isso terá um preço, terá o preço da paz. Se nós pudermos nos suportarmos uns aos outros, quando não nos pudermos amarmos uns aos outros, segundo os preceitos de Jesus, até que essa era prevaleça, provavelmente no próximo milênio, não sabemos se no princípio, se no meados ou se no fim. O terceiro milênio nos promete maravilhas. Mas, se o homem, filho e herdeiro de Deus, também se mostrar digno dessas concessões”.
Em outro momento, Saulo Gomes lê a pergunta de Luiz Lopes Correia (49min),  em que ele questiona se a humanidade entraria em contato com civilizações de outros planetas em tempo breve. Chico Xavier responde:
“Estamos subordinando a resposta ao mesmo critério com que foi estruturada a informação para a nossa estimada entrevistadora [Helle Alves] que falou sobre a nova era… Se, não entramos numa guerra de extermínio, nos próximos 50 anos, então, nós podemos esperar realizações extraordinárias da ciência humana partindo da lua. Então, diz o nosso Emmanuel, que está presente, que quando Cristovam Colombo perambulava pelas cortes Européias, pedindo socorro para descobrir um caminho mais fácil para as Índias, muita gente considerou o programa dele como absolutamente inútil a humanidade, que aquilo era uma despesa absolutamente inócua e que iria pesar demasiadamente no orçamento de qualquer povo, até que ele conseguisse o apoio de Fernando e Isabel, então soberanos de Castela. Mas, nós hoje sabemos, depois de cinco séculos quase – mais de quatro séculos – a importância do feito. Então, nós não podemos também acusar os nossos irmãos que estão se dirigindo à lua para pesquisas que devem ser consideradas da máxima importância para o nosso progresso futuro, porque as despesas efetuadas com isso serão naturalmente compensadas com, talvez, a tranquilidade para uma sociedade mais pacífica na Terra, porque se não entrarmos, por exemplo, num conflito de proporções imensas, então, na lua, é possível que o homem construa as cidades de vidro, as cidades estufas, onde cientistas possam estabelecer pontos de apoio para observação da nossa galáxia. Essas cidades não são sonhos da ciência! Essas cidades, naturalmente, com muito sacrifício da humanidade Terrestre, podem ser feitas e, provavelmente, vamos dizer, vai se obter, azoto e oxigênio e usinas, vamos dizer, de alumínio, e formações de vidro e matéria plástica da própria lua para construção destes redutos da ciência Terrestre e, provavelmente, a água será fornecida pelo próprio solo lunar. Então, teremos, quem sabe, a possibilidade de entrar em contato com outras comunidades da nossa galáxia. Então, vamos, definitivamente, encerrar o período bélico na evolução dos povos Terrestres, porque nós vamos compreender que fazemos parte de uma família Universal, que não somos o único mundo criado por Deus. O próprio Jesus, a quem reverenciamos como nosso Senhor e Mestre, disse: Há muitas moradas na casa de meu Pai. Portanto, nós precisamos prestigiar a paz dos povos, a tranquilidade de todos, com o respeito de todos, com a veneração máxima pela ciência, para que nós possamos auferir esses benefícios no futuro, talvez, mais próximo do que remoto. Se ‘nós fizermos por merecer’.
Eu não saberia dizer até que ponto tais informações eram mesmo previsões ou não mais do que projeções, expectativas, que, à época, se tinha sobre a tecnologia e o avanço da humanidade. É curioso, no entanto, observar: a) a importância da chegada do homem à Lua; b) o prazo de 50 anos para mudança de comportamento; c) a não concretização de uma nova grande guerra; d) as consequências positivas da não-realização de uma grande guerra, que são a essência da revelação trazida por Geraldo Lemes, encontram-se integralmente na resposta de Chico Xavier, 40 anos antes.
Apenas detalhes como: a) a reunião de espíritos angélicos na chegada do homem à Lua; b) as consequências negativas de uma Guerra Mundial ou nuclear; c) O papel do Brasil (não abordado neste artigo, por considerar este quesito especulação de uma especulação) d) os cataclismos decorrentes de uma Guerra Mundial; e) a reencarnação a partir do ano 2000 de espíritos bons; f) o período em torno de 1000 anos para recuperação da humanidade, caso o prazo de 50 anos não seja cumprido, é que não foram abordados nesse programa.
Dessa forma, pergunto-me: Seria a revelação de Geraldo Lemes não mais do que um enredo que tem por base as informações que Chico Xavier trouxe no programa Pinga-Fogo, em 1971?
 5.   CONCLUSÃO
A análise da obra “Não será em 2012”, na qual é dada publicidade a uma suposta revelação feita por Chico Xavier a Geraldo Lemes sobre o futuro da humanidade, possibilita observar uma série de argumentos pouco embasados, interpretações bíblicas tendenciosas, além de evidências de que elementos essenciais da “revelação” já haviam sido expostos em 1971, durante o programa Pinga-Fogo, cujo entrevistado era Chico Xavier.
Não foi encontrada nenhuma evidência forte o suficiente para crer que tal revelação tenha ocorrido, sendo preciso confiar no relato unilateral de Geraldo Lemes ou nas correlações estabelecidas por Marlene Nobre no Jornal A Folha Espírita, cujos textos formam a base do livro. Também não foi satisfatoriamente respondido o motivo pelo qual tal “revelação” ter sido ocultada do público durante tanto tempo.
 Antes da publicação deste artigo, um e-mail foi encaminhado para a editora a fim de que os erros encontrados (data da profecia Maia (p. 13); data da chegada do homem à Lua (p. 50) e a grafia do nome “Deodoro da Fonseca” (p.69)) possam ser corrigidos nas edições futuras.
O autor deste artigo não tem problema em rever seu ponto de vista e encontra-se aberto ao diálogo.
Autorizo o uso do presente artigo para fins não comerciais desde que citada a fonte.
Referências:
1 NOBRE, Marlene. Revelações apontam que o futuro da Terra está nas mãos do homem. Folha Espírita, Jabaquara, n. 439, maio 2011. Disponível, em:http://www.vinhadeluz.com.br//site/noticia.php?id=760. Acesso, em: 13 de Fevereiro de 2012.
2 MAURA, RITA. Livro “Não será em 2012″ de Marlene Nobre e Geraldo Lemos Neto. Disponível, em: http://www.forumespirita.net/fe/livros/livro-’nao-sera-em-2012′-de-marlene-nobre-e-geraldo-lemos-neto/. Acesso, em: 13 de Fevereiro de 2012.
3 AMPUDIA, Ricardo. Entenda o acidente nuclear em Fukushima, no Japão. Disponível, em:http://revistaescola.abril.com.br/ciencias/pratica-pedagogica/entenda-acidente-nuclear-japao-621879.shtml. Acesso, em: 13 de Fevereiro de 2012.
4 OLIVEIRA, Carlos. Fim do Mundo a 21 de Dezembro de 2012. Disponível em:http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=21960&op=all. Acesso, em: 13 de Fevereiro de 2012.
5 FREITAS, Amantino. O calendário é muito preciso. Disponível, em:http://www.folhaespirita.com.br/v2/node/207. Acesso, em: 13 de Fevereiro de 2012.
6 ROTHMAN. Paula. Calendário Maia não tem apocalipse, diz especialista. Disponível, em:http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/calendario-maia-nao-tem-apocalipse-diz-especialista-01122011-21.shl. Acesso, em: 14 de Fevereiro de 2012.
7 TERRA. Erro: calendário Maia não acaba em 2012, diz pesquisador. Disponível, em:http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4745350-EI8147,00-Erro+calendario+maia+nao+acaba+em+diz+pesquisador.html. Acesso, em: 14 de Fevereiro de 2012.
8 WIKIPEDIA. Dissonância Cognitiva. Disponível, em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Disson%C3%A2ncia_cognitiva. Acesso: 14 de Fevereiro de 2012.
9  WIKIPEDIA. Destruição de Jerusalém. Disponível, em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Destrui%C3%A7%C3%A3o_de_Jerusal%C3%A9m. Acesso, em: 14 de Fevereiro de 2012.
10 BRAGWELL, Eduard. Daniel – O Profeta do Reino. Disponível, em:http://www.estudosdabiblia.net/a13_14.htm. Acesso, em: 14 de Fevereiro de 2012.
11 ESTADÃO. Um ano de primavera Árabe, a primavera inacabada. Disponível, em:http://topicos.estadao.com.br/primavera-arabe. Acesso, em: 14 de Fevereiro de 2012.

Referência original:
NOBRE, Marlene; LEMOS, Geraldo. Não será em 2012: Chico Xavier revela a data-limite do velho mundo. São Paulo: FE editora, 2ª reimpressão, 2011.
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